Sou uma boa mãe?

 

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Pergunta que nunca cala na cabeça das mães! A verdade é que somos preparadas desde criança para a tarefa, já que desde cedo ganhamos as bonecas e delas cuidamos como nossas filhas. Só que não… Na infância, criamos os seres inanimados, damos papinha, banho, trocamos de roupa, ninamos e colocamos para dormir. Só que nessa brincadeira nossos filhos são uns santos, não choram, não fazem birra, sempre comem o que oferecemos, não assam, dormem na hora que escolhemos e ficam no armário ou prateleira dias seguidos sem dar um pio quando simplesmente os esquecemos lá e nos envolvemos com outras brincadeiras.

Já na vida real, tudo muda. Nos deparamos com filhos e não as bonecas. Eles tem suas próprias vontades, algumas vezes parecidas com as nossas e outras vezes completamente diferentes das nossas. Com essas diferenças, nos perdemos e não sabemos lidar. E então nasce a insegurança sobre estar ou não fazendo o que é certo.

Fora “o não saber direito o que e como fazer”, tem o peso da responsabilidade que de um dia para outro cai nas nossas mãos. Um ser vivo para ser cuidado, com toda fragilidade possível. Um cristal, que brilha tanto aos nossos olhos, que o medo de não fazer certo nos ofusca, impõe a miopia e as vezes até uma cegueira, tudo na tentativa de fazer o melhor.

Se o filho passa por uma gestação de nove meses, protegido nas águas da placenta, alimentado pelo drive-thru das veias e acariciado sob o manto protetor da nossa pele, nós as mães não… Nascemos sem gestação! Não existe cursos, aulas preparatórias e nem conselhos e ensinamentos que nos deixe preparadas para a vida de ser mãe.

Quando nossos pequenos nascem, não nasce uma mãe junto… somos nós mesmas, com os aprendizados da vida até aquele momento. Estamos ali, tudo igual, menos a barriga, que está menor, mas o filho transferido para o colo. É um momento de muita alegria mas também de um certo desespero… e agora !?

Nessa hora, mudamos de figura, de personagem e de vida. Somos mãe em primeiro lugar, depois somos os demais papéis da nossa vida. Seguimos a vida com a prioridade bem clara, nossos filhos, cuidar deles da melhor forma.

Bom, essa “melhor forma” é totalmente individual, e de novo, não existe o certo e o errado. Cada mãe é única, e o mesmo para seus filhos. Nunca, em tempo algum, foi possível garantir que uma mesma educação serve para todos os filhos.

Nesse ponto é que vemos algumas mães se complicarem. Porque de tanto medo e vontade de acertar, cometem erros de super-proteger seus filhos. Entendo que alguns exageros começam a ser cometidos baseados na criança interior que cada um de nós temos. O que te fez falta na infância, talvez você vá tentar dar ao seu filho, o que certamente é explicável, porém na realidade, isso tudo também vai ser demais e errado. Se você não teve todos os brinquedos que quis, pode querer sufocar seu filho com todos os brinquedos que ele quer ter. E assim você “cura” sua criança interior, mas “estraga” seu filho. Se você não pode estudar na melhor escola, vai colocar seu filho na super-hiper-the best da cidade, sem antes pensar se essa escolha faz sentido em todos os pontos (valores, distância, grupo de amigos, dentre outros).

Não estou dizendo que não devemos dar o melhor, mas sim se é o melhor do bom senso e não o melhor para a nossa criança interior. É preciso saber separar bem se estamos “usando” nosso filho para curar nossas carências ou para cria-lo para o mundo.

Para saber se acertamos… (se é que é possível saber ou acertar) eu sempre uso aquela máxima (texto extraído de um post no fb): “A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.”

Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária. Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não para de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o
conforto nas horas difíceis. Pai e mãe – solidários – criam filhos para serem livres. Esse é o
maior desafio e a principal missão. Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.”
“Dê a quem você Ama :
– Asas para voar…
– Raízes para voltar…
– Motivos para ficar… ” – Dalai Lama”

 

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