O que você chama de erro, eu chamo de lição!

Imagem  errar2 Errar é humano, mas insistir no erro é burrice! quem não ouviu essa frase pelo menos umas mil vezes na vida? e se ouvimos tanto, pergunto: quanto dessa afirmação aplicamos no dia a dia? ou seja, entender e aceitar que errar é humano. Talvez a frase que mais devíamos ouvir é Errar é humano, mas nem se atreva “ser humano”, senão será condenado!

Imagem Imagem Vivemos na cultura do herói, onde não é permitido errar, ou melhor, se você errar está fora do jogo. É comum a sociedade julgar as pessoas baseada numa determinada situação, geralmente a do erro. As pessoas são conhecidas pelos erros que cometem… reparem nos noticiários, vejam que o que mais se divulga são os casos em que erros são cometidos. Lógico que os graves precisam ser comunicados, mas há tantas notícias boas para divulgar que fazer uma mescla não seria ruim. As boas ações não são devidamente valorizadas tanto quanto as más. Porque? somos mestres em julgar e condenar os outros, principalmente apontando o lado negativo. É confortável saber que o outro é pior que nós mesmos, ou ainda, saber que tem alguém em pior situação nos faz sentir melhores e acreditar que agora sim, somos felizes, já que o outro está infeliz. Isso é a arrogância do ser humano, se sentir superior porque o outro é inferior (ou está inferior).

Imagem Ouvimos sempre que o maior aprendizado vem dos nossos erros, mas quando acontece, somos censurados e automaticamente condenados, nos colocando numa situação de vergonha e inferioridade por não ter acertado. O livro Outliers de Malcolm Gladwell, tenta nos demonstrar que as pessoas não nascem sabendo tudo, mas sim precisam de anos de exercícios para serem bons em alguma atividade. Se é mesmo assim, logicamente que durante o aprendizado, várias vezes erramos para poder nos aperfeiçoar. Não nascemos sabendo, somos formados aos poucos e quanto maior nosso exercício, melhor ficamos porque o erro ensina e permite detectar falhas para então acertar. É simples!

erro1      erro9 Analisando as afirmativas do filósofo Mario Sergio Cortella, “não nascemos prontos” e Guimarães Rosa “o animal satisfeito dorme” entendo que quem já está satisfeito não avança e quem não avança não se modifica e se não nascemos prontos, temos que continuar buscando a essência de tudo, questionando e tentando nos aprimorar. E nas tentativas de nos “formar” vamos errar e acertar, o tempo todo. E se errar é algo condenável, parar de errar significa se “formar” pela metade, ficando só com os acertos. E mais profundamente ainda, parar de errar significa deixar de se arriscar, sim porque quanto maior o risco, maior a possibilidade de errar, não se arriscar mais, resulta na interrupção da inovação e das descobertas, que por fim interrompe a evolução da humanidade.

Quando o ser humano se conforta numa existência sem “passos maiores” ele se limita a exercer todo seu potencial de crescimento. Optar por circular na chamada zona de conforto é viver num mundo seguro e sem a chance de geração satisfação. Porque a satisfação é resultado de uma conquista e a conquista por sua vez é obtida através do esforço e trabalho por algo que antes não tínhamos, se não tínhamos, não estava na zona de conforto, estava fora. Dai vem aquela máxima: a vida começa fora da zona de conforto.

confort zone   Mas voltando ao erro, tem mais dois pontos que acho importante ressaltar nessa cultura de condenar os erros. Uma delas é na criação dos filhos e a outra é sobre empresas que cultuam apenas os talentos.

Na criação dos filhos, o conceito de uma boa educação passa por trabalhar a autoestima dos filhos. E, a responsabilidade de ter essa sensação plena, dizem que é dos pais. Isso significa que os pais entenderam que eles devem alimentar ao máximo seus filhos com afirmações positivas o tempo todo, não os deixando errar para que não se sintam mal com seus fracassos. Porém ao evitar que seus filhos não se arrisquem a fazer algumas atividades por medo deles errarem, a mensagem que está sendo sutilmente enviada, é a de que eles não são capazes de fazer sozinhos. Se os próprios pais não incentivam seus filhos a aprenderem fazer atividades sozinhos (desde amarrar seus sapatos, arrumar seus armários, ajudar na louça até montar um brinquedo), como vocês acham que eles se sentem? incapazes. Se se sentem incapazes, mas seus pais dizem que eles são o máximo… o discurso não está combinando com a realidade, concordam?

erro4   No geral, o discurso não combina com a prática. Aplicar a prática para fazer os filhos se tornarem melhores, exige um trabalho dobrado, porque, por exemplo, para sair de casa mais rápido, as mães amarram o sapato dos filhos (porque é mais prático e rápido) mas quando a criança está pronta, ela diz: você está lindo! parabéns, está todo arrumadinho! O ideal é delegar as responsabilidades aos poucos e monitorar para que façam a parte que são capazes de fazer até o limite que aprendem a fazer, e a partir da impossibilidade real de fazerem sozinhos, ai sim, os pais entram em cena. Sei que não é simples, mas garanto que os filhos se sentiriam muito mais capazes e completos exercendo eles mesmos o poder de ser independentes.

erro5    Depressed Businessman Sitting on Stairs Para acabar o post, queria comentar rapidamente, fazendo um paralelo com a criação dos filhos, a prática de algumas empresas em cultuar apenas o grandes talentos. Entendo que esse também é um erro, já que qualquer profissional não é talento o tempo todo, há momentos especiais em que emergem idéias de todos nós. No momento em que cultuam os talentos, a pressão colocada sobre eles é gigante, abafando aos poucos seu poder de criação, porque sabem que não são especiais o tempo todo, são passíveis de erros e vazios como todos os seres humanos. Na medida em que são demandados além de suas forças, metem os pés pelas mãos, e quando erram na ânsia de acertar, são condenados por não serem “aquilo” que a empresa pensou que eram.

Penso que numa empresa em que o erro é considerado “normal” (logicamente guardadas as devidas proporções) e utilizado de forma benéfica para crescimento dos colaboradores, gera um encorajamento e pró-atividade em todos. Quando o julgamentos e condenações não são utilizados de forma punitiva, todos se sentem incentivados a inovar, sugerir e modificar processos e produtos buscando aperfeiçoar a empresa.

Para fechar: O que você chama de erro, eu chamo de lição! pense nisso… (frase de Alina Tugend)

Seja mais, seja você!

Obs: o texto acima excetua erros que atentem contra a vida e a saúde.

Indicação de autores que falam a respeito: Mario Sergio Cortella, Malcolm Gladwel, Alina Tugend

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