Isso está uma bagunça! você já ouviu essa frase?

Você é bagunceira ou caótica? Tem diferença nos dois? é tão ruim ser assim? Para quem luta consigo mesma para tentar ser organizada, saiba que nem tudo que parece errado, é errado. O que está desordenado para uma pessoa, pode estar ordenado para outra. O convencional da ordem pode ser o padrão da maioria, mas efetivamente, cada um tem uma forma de lidar com suas “ordens”. Só é preciso ter cuidado quando sua ordem interfere na vida do outro!

Ponto de vista diferente não é erro, é simplesmente diferente! 

Não se condene, procure o meio termo e seja mais, seja você!

 

Os benefícios do caos

Um pouco de caos na vida pode ser benéfico. O segredo está em saber encontrar um equilíbrio na desordem. Aprenda a viver de uma maneira mais flexível!

É preciso encontrar um equillíbrio em meio ao caos
Foto: Getty Images

Caixas de cerejas estão sendo descarregadas na cozinha e se amontoam pelos cantos. Sobre as duas mesas grossas de madeira, três queijos de ovelha, dois de cabra, garrafas de vinho a serem degustadas no almoço. Nos ganchos pendentes do teto, réstias de cebola e alho, linguiças, tachos de cobre, panelas de ferro. Nada mais aleatório e, paradoxalmente, nada tão sublime. Cenas como essa podem ser presenciadas em cada canto da Itália rural, com suas casinhas vermelhas e seus janelões verde-água, sobrados ocre com venezianas azulão, palacetes rosa-forte com portões laranja.

Mais do que ninguém, os italianos conhecem como transformar o caos numa experiência estética deslumbrante. O país inteiro é uma palheta e a beleza nasce da diversidade, espontaneidade e criatividade proporcionadas por um amor apaixonado por tudo aquilo que é não estruturado, imprevisível e, de preferência, longe da ordem convencional. Isto é, pelo que chamamos de bagunça.

Mas tem um segredinho aí. É óbvio que essa não é uma bagunça comum e que há algo especial nela. Ela nasce da flexibilidade diante da desordem do cotidiano, da aceitação da imperfeição, de um jeito mais natural de viver. Certamente é uma desordem com raízes humanistas, que está ligada a valores como aproveitar bem a vida sem se preocupar demais e não se importar muito com o que está desgastado ou fora de ordem.

Mas é melhor ser bagunceiro?

Não, embora os bagunceiros pareçam mais simpáticos (principalmente quando não se convive demais com eles). Temos a tendência de nos enternecer com quem não tem a vida estruturada. De alguma forma, nos parece mais humano, mais pertencente a este mundo imperfeito.

Tanto o excesso de ordem como a bagunça exagerada podem indicar distúrbios. “A neurose significa que temos uma deformação ao olhar para a realidade. Por algum motivo, a interpretamos de forma desequilibrada, gerando problemas para nós mesmos e os outros”, afirma a psicóloga Yooko Suyama, psicóloga e diretora de desenvolvimento humano da Associação Viva e Deixe Viver. Mas, como já temos uma pressão social para nos encaixarmos dentro de uma forma, que após a revolução industrial nos exige ordem, uniformidade e perfeição, o ideal é arejar um pouco e integrar um pouco mais de caos e desestruturação em nossa vida.

Por que tememos caos, afinal?

Nós nos estruturamos demais porque temos pavor de que a realidade fuja ao nosso controle. A sensação de que podemos nos prejudicar com a instabilidade da vida ou de perder a quem amamos por causa de acontecimentos imprevisíveis mina nossa segurança. Por isso, gostamos tanto da rotina, do que é linear e previsível, do que não muda. Um pouco disso é essencial para nossa saúde psíquica. O problema acontece quando nos esquecemos de que o excesso de controle asfixia e pode acabar com todas as chances de mudança em nossa vida.

Talvez a gente não se preocupasse tanto em manter a ordem se aprendêssemos um pouquinho sobre a Teoria do Caos, uma teoria científica formulada em 1960 pelo meteorologista americano Edward Lorenz. Ela diz que há uma ordem intrínseca até mesmo no caos. O que nos parece caótico, como o turbilhão de água numa cachoeira, por exemplo, tem um padrão, uma sequência. Eles são difíceis de serem definidos, mas existem. É exatamente o argumento que a maioria dos bagunceiros emprega: de que há uma ordem na bagunça que só eles conhecem.

Nossa ilusão em querer a vida (ou o espaço dentro de casa) sob controle ficaria seriamente abalada com a outra proposição da Teoria do Caos: de que mudanças mínimas, mas contínuas, podem causar transformações gigantescas.

Bagunça é mesmo igual a caos?

Dulce Magalhães estabelece uma divisão sutil entre bagunça e caos. “Eles não são exatamente a mesma coisa. A bagunça é um estado de confusão, enquanto o caos é um estado de múltiplas possibilidades”, diz. Segundo ela, alguém que está em meio a uma verdadeira bagunça não consegue nem pensar direito, quanto mais criar. “Já o caos é um estado de complexidade, quando temos muita informação, mas ainda não definimos que rumo vamos dar a isso”, afirma.

Já pessoas muito sistemáticas, com comportamentos rigidamente padronizados, costumam não ter abertura para novas possibilidades, pois têm a tendência a “defender” sua forma de fazer e agir. Isso é por si só já um condicionamento.

Como a busca da perfeição afeta nossa vida?

O estresse é fruto é uma resposta rígida, congelada, diante de uma expectativa frustrada. “Toda expectativa é um mapa e a realidade é o território. Se na prática as coisas não saem como a gente quer, não adianta se aborrecer e dizer que a realidade está errada e o mapa é que está certo. Precisamos imediatamente atualizar o mapa e perceber que é com essa nova realidade que vamos lidar e assim fluímos para o próximo passo sem estresse nem atritos”, aconselha a consultora Dulce Magalhães. Todo desequilíbrio, portanto, é consequência direta de nossa dificuldade de ajustar nossa percepção à realidade vigente. E toda doença é um desequilíbrio.

Vamos combinar uma coisa: certinhos e perfeccionistas provavelmente vão continuar certinhos e perfeccionistas até o fim da vida, assim como os bagunceiros renitentes também irão se manter fiéis aos seus princípios até morrer. Ninguém vai mudar seu estilo por causa de uma matéria. Mas que dá para diminuir a intensidade das neuroses, isso dá. O negócio é tentar ser um bagunceiro um pouco mais arrumadinho ou um fissurado pela ordem mais relaxado. É aí, na busca de equilíbrio, que está o segredo. A gente só precisa se convencer de que isso nos irá trazer novas possibilidades, alegrias e oportunidades – para mudar.

Vida Simples, publicado em 20/02/2009

Reportagem: Liane Alves – Edição: Mulher

Seja mais, seja você!

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