A morte

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Não sei se pela idade ou pelo maior nível de conscientização sobre o tema “morte” que tenho percebido nesses últimos dias o quão vivos estamos. É verdade, não é assim que dizem? quando conhecemos a escuridão que valorizamos a claridade.
A verdade é que quando criança, temos contato diário com a morte através dos desenhos animados, quando os personagens morrem umas vinte vezes em apenas um episódio. Desde Papa-Léguas e Coiote, Piu-Piu e Frajola, Cascão e Cebolinha até alguns contos de fadas. Mas essas mortes fazem parte do contexto e são mortes momentâneas, já que no mesmo episódio os personagens renascem e pior, repetem as provocações que os fazem morrer de novo.
Passada a fase da infância, ficamos muito longe “dela”, pois é uma idade em que não temos tantos conhecidos idosos e nem tão pouco vivemos perto de várias pessoas que sofrem fatalidades. Ou seja, as mortes podem acontecer, mas são mais raras e esparsas.
Ao constituirmos família, o medo da morte se aproxima com a chegada da responsabilidade emocional, principalmente ao termos filhos. O maior medo das mães é que seu filho morra… ao escrever essa frase, até bato na madeira. Os filhos crescem e vemos que eles vão ficando menos frágeis e aprendem a se proteger de uma forma ou outra, porque o instinto de sobrevivência fala mais alto do que a altura da escada que eles caem. Ao perceber esse fato, ficamos mais tranquilas e novamente “ela” se afasta da nossa mente novamente.
Nessa altura, chegamos a uma idade em que nossos pais começam a sinalizar que a vida tem um fim, que depois de nos dar a vida, criar e educar, chega a hora deles partirem para o descanso eterno. Essa é dolorida.. não tem palavras e nem como explicar essa nível de perda. É um pedaço nosso que se vai diante da impotência “dela”, que se mostra vencedora e determina alterações profundas no futuro. É uma briga que perdemos, um amor que se vai.
Depois da perda dos pais, qualquer filho passa a respeitar a morte. Já sabemos que ela vem, é implacável e nós não somos como os personagens dos desenhos animados. Somos perecíveis e temos data de validade. Doa a quem doer a vida é a soma dos dias que vivemos e tem fim, a vida não se multiplica por si só. Podemos multiplicar a alegria de viver, os aprendizados, as amizades e o amor, e com isso, viver intensamente cada minuto.
E por fim, a razão do meu post, é deixar a meu carinho e luz a todos que estão com alguma doença que os tem limitado. Tenho recebido muitas notícias de conhecidos que estão doentes, lutando por mais anos de vida, de alegrias e plenitude. Pessoas que acordam e juntam suas forças para seguir mais um dia, rezando para que seja o mais normal possível, pois assim sabem que estão próximos do que é viver. Ter um dia normal não é para qualquer um, é apenas para quem está vivo e saudável!! Um dia simples, respirando, ouvindo e falando é tão básico mas um sinal claríssimo de que está tudo bem. Não importa a chuva, o transito, o chefe de mal humor, a fila do banco e nem nada disso, ou melhor, tudo isso importa sim, mas como indicativos de que estamos no jogo e não no banco de reservas.

Fica a dica: vamos viver o que há para viver, vamos nos permitir… (Lulu Santos)

Seja mais, seja você!