Padrões de beleza e comportamento: Susi, Barbie e Monster High

Na minha infância o supremo da beleza era a boneca Susi.. eu e todas as minhas amigas queríamos ser a Susi. Ela era nosso ícone de beleza, simpatia e delicadeza.

Tinha um namorado, o Beto, que era meio sem vida, um pouco bobo por sinal. Nosso foco era ser a Susi e ter a casa e as roupinhas dela. O closet dela era bem reduzido, poucas roupas e lançamentos bem espaçados. Quando as habilidosas costureiras aprenderam a fazer os moldes para o corpo da boneca, ai sim, explodiu a moda Susi. Como para fazer usava pouco tecido, começou a existir grande variedade para vestir as bonecas. E se comprava na feira, bem baratinho.

susi noiva susi1 susi noive susibeto

 

Inicialmente ela era morena, cabelos escuros mesmo. Só foi “pintar” o cabelo depois que apareceu a concorrência: Barbie.

Logo, as mulheres da minha geração tiveram esse modelo de beleza para se inspirar ao brincar com o imaginário e sonhar com o futuro. Ser uma Susi e ter um namorado como o Beto (mesmo ele sendo sem sal). (obs: acho que ele ser sem sal tem a ver com a falta de um menino para dar vida ao Beto nas brincadeiras… nosso foco era a Susi e o Beto era mero coadjuvante porque não sabíamos fazer o papel de homem naquela época).

Na sequência veio a Barbie, loirona, alta, super maquiada e peituda! era toda gostosona e chamava a atenção nos quintais alheios. O armário da Barbie era muito mais elaborado que o da Susi, cheio de acessórios e brilhos. E quando fomos apresentadas para o namorado dela, o Ken, morremos de paixão. Ele sim era um “boneco” com presença. Com essa dupla, as brincadeiras de boneca ficaram mais animadas, até porque eles vinham com roupinhas combinadas (estilo executivo, beach, etc). Eles faziam e aconteciam nas rodinhas femininas infantis. Como já tínhamos crescido um pouco, também aprendemos a brincar melhor com as bonecas e o Ken.

barbie e kenken_barbie

 

E agora, o que temos para inspirar as meninas? as Monster High…

monster high1 monster high

 

Essa é a realidade na qual as meninas se identificam hoje. São as bonecas que exibem um estilo próprio, com atitudes únicas trazendo a diversidade e respeito ao outro com todas as suas maluquices. Ser diferente é comum entre elas, cabelos coloridos, maquiagem pesada, cílios postiços, saltos altíssimos, acessórios extravagantes e roupas inovadoras fazem parte desse grupo (algo Amy Winehouse vampirizada)

amy_winehouse

Elas continuam trazendo o corpo esbelto, bem magro, principalmente nas juntas. Os seios já não são tão grandes, proporcionalmente, o quadril não tão arredondado e possuem cores de pele, azul turquesa, meio acizentada etc. Porém, apesar dessa diversidade, ainda não abriram a “roda” para o padrão mais cheio, muito comum em qualquer cultura.

namorado monster.. namorado monster

 

Quando se fala em sexo masculino para as meninas Monster High, o padrão é algo andrógino. Um estilo bem diferente também. Cabelos coloridos, corpo esguio, tatuagens, óculos colorido, roupas elaboradas, rosto maquiado e um olhar que poderia ser feminino. Um deles até lembra a Fera (do A bela e a fera).

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Ou seja, elas namoram meninos completamente diferentes do Beto e Ken. O que elas desenham para seu futuro são homens que quebram completamente os padrões das suas mães. Se antes o certinho e organizado era um modelo masculino aspirado pelas mulheres, hoje as crianças estão montando um novo modelo, que busca um misto de estilos e altera a beleza plástica tradicional, inovando e reformando os conceitos até hoje vividos por nós.

Dizer que é melhor ou pior é pura arrogância. As mudanças acontecem de forma sutil e tendem a se estabelecer conforme cresce o grupo de adeptos. A pergunta tem sua resposta  localizada no “quanto” esse padrão de beleza Monster High está inserido nas crianças.

O fato é que o mundo de princesas já foi, ser a vítima como foi Branca de Neve, Cinderela, Rapunzel, etc… já não condiz mais com as crianças de hoje. Elas não são e nem querem mais ser as vítimas, são protagonistas de suas histórias e tendem a se diferenciar do que foi um conto de fadas. Simplesmente elas são o resultado da transformação que a mulher passou ao longo dos anos… saindo de casa e indo a luta no mercado de trabalho, crescendo e acrescentando em qualquer ambiente.

Acho que aqui fica a reflexão para os pais, pois da minha geração até essa, a mudança é grande e portanto para quem tem filhos pequenos, caso não acompanhem a “cabecinha” deles, certamente vão viver a fase de adolescência com grandes conflitos.

Entendam, se insiram e por fim façam parte desse novo universo que seus filhos estão entrando.

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Seja mais, seja você!

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Sou uma boa mãe?

 

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Pergunta que nunca cala na cabeça das mães! A verdade é que somos preparadas desde criança para a tarefa, já que desde cedo ganhamos as bonecas e delas cuidamos como nossas filhas. Só que não… Na infância, criamos os seres inanimados, damos papinha, banho, trocamos de roupa, ninamos e colocamos para dormir. Só que nessa brincadeira nossos filhos são uns santos, não choram, não fazem birra, sempre comem o que oferecemos, não assam, dormem na hora que escolhemos e ficam no armário ou prateleira dias seguidos sem dar um pio quando simplesmente os esquecemos lá e nos envolvemos com outras brincadeiras.

Já na vida real, tudo muda. Nos deparamos com filhos e não as bonecas. Eles tem suas próprias vontades, algumas vezes parecidas com as nossas e outras vezes completamente diferentes das nossas. Com essas diferenças, nos perdemos e não sabemos lidar. E então nasce a insegurança sobre estar ou não fazendo o que é certo.

Fora “o não saber direito o que e como fazer”, tem o peso da responsabilidade que de um dia para outro cai nas nossas mãos. Um ser vivo para ser cuidado, com toda fragilidade possível. Um cristal, que brilha tanto aos nossos olhos, que o medo de não fazer certo nos ofusca, impõe a miopia e as vezes até uma cegueira, tudo na tentativa de fazer o melhor.

Se o filho passa por uma gestação de nove meses, protegido nas águas da placenta, alimentado pelo drive-thru das veias e acariciado sob o manto protetor da nossa pele, nós as mães não… Nascemos sem gestação! Não existe cursos, aulas preparatórias e nem conselhos e ensinamentos que nos deixe preparadas para a vida de ser mãe.

Quando nossos pequenos nascem, não nasce uma mãe junto… somos nós mesmas, com os aprendizados da vida até aquele momento. Estamos ali, tudo igual, menos a barriga, que está menor, mas o filho transferido para o colo. É um momento de muita alegria mas também de um certo desespero… e agora !?

Nessa hora, mudamos de figura, de personagem e de vida. Somos mãe em primeiro lugar, depois somos os demais papéis da nossa vida. Seguimos a vida com a prioridade bem clara, nossos filhos, cuidar deles da melhor forma.

Bom, essa “melhor forma” é totalmente individual, e de novo, não existe o certo e o errado. Cada mãe é única, e o mesmo para seus filhos. Nunca, em tempo algum, foi possível garantir que uma mesma educação serve para todos os filhos.

Nesse ponto é que vemos algumas mães se complicarem. Porque de tanto medo e vontade de acertar, cometem erros de super-proteger seus filhos. Entendo que alguns exageros começam a ser cometidos baseados na criança interior que cada um de nós temos. O que te fez falta na infância, talvez você vá tentar dar ao seu filho, o que certamente é explicável, porém na realidade, isso tudo também vai ser demais e errado. Se você não teve todos os brinquedos que quis, pode querer sufocar seu filho com todos os brinquedos que ele quer ter. E assim você “cura” sua criança interior, mas “estraga” seu filho. Se você não pode estudar na melhor escola, vai colocar seu filho na super-hiper-the best da cidade, sem antes pensar se essa escolha faz sentido em todos os pontos (valores, distância, grupo de amigos, dentre outros).

Não estou dizendo que não devemos dar o melhor, mas sim se é o melhor do bom senso e não o melhor para a nossa criança interior. É preciso saber separar bem se estamos “usando” nosso filho para curar nossas carências ou para cria-lo para o mundo.

Para saber se acertamos… (se é que é possível saber ou acertar) eu sempre uso aquela máxima (texto extraído de um post no fb): “A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.”

Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária. Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não para de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o
conforto nas horas difíceis. Pai e mãe – solidários – criam filhos para serem livres. Esse é o
maior desafio e a principal missão. Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.”
“Dê a quem você Ama :
– Asas para voar…
– Raízes para voltar…
– Motivos para ficar… ” – Dalai Lama”