Nada a invejar, vidas comuns na Coréia do Norte – indicação de leitura

Image Excelente indicação para quem gosta de uma boa história com fatos reais! Esse livro mostra exatamente como o ser humano fica míope diante de um líder forte e convincente.

Assim como a história nos mostra de como Hitler conduziu um país inteiro a executar seu sonho louco de criar uma população pura através do extermínio daqueles que não eram considerados puros na visão dele, esse livro “Nada a Invejar” nos mostra exatamente o mesmo perfil de liderança manipuladora existente na Coréia do Norte.

A história é contada por personagens reais, que viveram os dramas de serem prisioneiros e condenados a passar fome, roubar e ver morrer seus entes queridos em nome de um amor ao ditador e ao Partido dos Trabalhadores da Coréia.

É de uma leitura fácil, pois é contada através de alguns personagens reais e suas histórias familiares e de amor, permeando no sistema e mostrando as diferenças entre eles lutando contra ou a favor do sistema.

Vários fatos são tão absurdos que, de fora, não conseguimos imaginar como os seres humanos são passíveis de serem modelados:

– em 1994 o país tinha mais de 30.000 estátuas do líder Kim II, tamanho era o narcisismo dele. Onipotente e Onipresente.

– vivem em sistemas de castas. Três ao todo. Se você nasce na inferior, não importa o quão inteligente, talentoso ou esforçado você é, não tem a mínima chance de crescer na vida. Não pode se relacionar com outras castas, casar entre castas, nem pensar.

– todas as casas tem 2 quadros um do pai (Kim II -sung) e outro do filho (King Jong-il) pendurados na sala. As donas de casa devem limpar esse quadro diariamente com um pano branco e a polícia passa semanalmente para conferir se estão limpos. Caso não estejam devidamente limpos –> cadeia como punição.

– se alguém deserta, todos dessa família são punidos, geralmente com pena de morte ou forçados a trabalhar no campo dos prisioneiros.

– na capital, só podiam morar as famílias de castas superiores, já que tinham aparência mais saudável. Isso porque quando havia necessidade de algum estrangeiro visitar a Coréia do Norte, a única cidade que podia ir, era a capital. E o governo queria enviar a mensagem de que todos eram felizes e bem alimentados para o restante do mundo.

– em praticamente todas as famílias havia um infiltrado do governo para vigiar e garantir que todos estavam a favor do ditador e do sistema. Era terminantemente proibido falar mal do líder.

– a morte do ditador trouxe uma histeria para a população, que se viu sem o “chão”, mesmo que esse fosse tão desumano quanto era. Todos tinham que sair para beijar os pés da estátua do líder, e ao fazer isso, ganhavam um bolinho de arroz. Como a fome era gigante, eles voltavam para a fila kilométrica para chorar mais e pegar mais um bolinho de arroz.

– as músicas, os filmes e as comunicações sempre giravam em torno de informar que o mundo estava em pior situação que a Coréia do Norte, que os americanos imperialistas queriam ter o poder do mundo, que a população devia agradecer por viver na Coréia do Norte e ter um líder que os protegesse, dentre outros absurdos que são inimagináveis nos dias de hoje.

– segundo os cálculos dos especialistas, a Coréia do Norte está pelo menos meio século atrás de qualquer país desenvolvido. E pelo menos 40 anos defasada em relação a diferença de Alemanha Oriental e Ocidental quando da queda do muro.

Enfim, são tantos fatos dessa natureza, que vale a leitura para reflexão de que o mundo que nos cerca nos define. Trazendo para outra realidade, o que você vive e com quem convive vai te definindo pouco a pouco e te formando como pessoa. E, sempre é interessante e rico abrir um pouco o horizonte, saindo do seu mundo atual para conhecer e experimentar outras formas de vida, para realmente formar sua opinião do que é de fato bom para você.

Bom, pelo menos é o que eu acredito… saia da caixa um pouco para depois voltar, confiante de que está no lugar certo.

Seja mais, seja você!

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