Vou lá fazer meus 21km e já volto

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Para os corredores sem ambições de se tornar atletas e que correm para fazer exercício e se manter  saudáveis, correr uma prova maior, com distância acima de 10km, se torna um evento. Esse evento, para acontecer de fato, exige treinar o corpo para atingir a quilometragem desejada sem passar por grandes sofrimentos e nem terminar a prova com o gosto de “não quero mais”. Sim, muitos dos que desistem de correr o fazem por ficarem traumatizados com a prova em si, já que não houve um preparo adequado. E na hora da prova, vale tudo, com dor ou sem dor você cruza a linha de chegada, no mather what. A adrenalina que te envolve aliada à energia das pessoas de todas as raças, cores, idades e motivações é tão grande que nenhuma dor interrompe sua jornada. Por um outro lado, tudo na vida tem um preço, quando não se paga antecipado, programando treinos adequados, se paga depois, se distanciando de um esporte prá lá de democrático, acessível, saudável, flexível e moldável a todos os tipos de pessoas com qualquer tempo disponível. Correr é um esporte que exige apenas um tênis relativamente bom para não machucar as articulações e tempo, qualquer quantidade. Simples assim e você está dentro da atividade.

No início desse ano decidi treinar mais sério e atingir o objetivo de correr minha primeira meia maratona. Não é nada importante quando você está ouve as conversas dos corredores há tempos na estrada, que correm as maratonas (42km), os solos de 75km e assim por diante. A minha será de 21km. Estou feliz por estar dando um passo desses que para mim já é um grande feito, faço provas de 10km há alguns anos e não muito mais que isso.  E o mais importante disso tudo, é estar conseguindo manter a consistência e regularidade nos treinos para evoluir aos poucos o meu corpo sem me machucar. E para que essa regularidade seja mantida, muitos outros programas tem sido deixados de lado, tanto os gastronômicos quanto os encontros com amigos para uma tacinha. Uma agenda de treinos envolve dias mais puxados, com maiores quilometragens e dias com menores quilometragens mas com ritmos mais acelerados, é como se você não pudesse faltar em nenhum, pois todos são importantes para sua evolução. Lembra na escola, quando você queria faltar e olhava a agenda de aulas para saber qual delas você poderia ficar sem? e cada dia tinha uma que você pensava, essa não posso faltar porque é importante, a outra não posso porque tirei nota baixa na primeira prova, e a outra não posso também, porque já faltei mês passado. Logo, o meu compromisso com a agenda proposta tem sido motivo de orgulho para mim mesma. Esse orgulho não tem a ver com abrir mão das muiiiiiitas coisas e pessoas gostosas da minha vida temporariamente, mas sim com a minha determinação no objetivo ao qual me propus.

Aos amigos e eventos gastronômicos: sinto muiiita falta de tudo isso!!! Vou lá fazer meus 21km e já volto!!!

Por isso que eu falo, seja mais, seja você!

 

 

 

A morte

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Não sei se pela idade ou pelo maior nível de conscientização sobre o tema “morte” que tenho percebido nesses últimos dias o quão vivos estamos. É verdade, não é assim que dizem? quando conhecemos a escuridão que valorizamos a claridade.
A verdade é que quando criança, temos contato diário com a morte através dos desenhos animados, quando os personagens morrem umas vinte vezes em apenas um episódio. Desde Papa-Léguas e Coiote, Piu-Piu e Frajola, Cascão e Cebolinha até alguns contos de fadas. Mas essas mortes fazem parte do contexto e são mortes momentâneas, já que no mesmo episódio os personagens renascem e pior, repetem as provocações que os fazem morrer de novo.
Passada a fase da infância, ficamos muito longe “dela”, pois é uma idade em que não temos tantos conhecidos idosos e nem tão pouco vivemos perto de várias pessoas que sofrem fatalidades. Ou seja, as mortes podem acontecer, mas são mais raras e esparsas.
Ao constituirmos família, o medo da morte se aproxima com a chegada da responsabilidade emocional, principalmente ao termos filhos. O maior medo das mães é que seu filho morra… ao escrever essa frase, até bato na madeira. Os filhos crescem e vemos que eles vão ficando menos frágeis e aprendem a se proteger de uma forma ou outra, porque o instinto de sobrevivência fala mais alto do que a altura da escada que eles caem. Ao perceber esse fato, ficamos mais tranquilas e novamente “ela” se afasta da nossa mente novamente.
Nessa altura, chegamos a uma idade em que nossos pais começam a sinalizar que a vida tem um fim, que depois de nos dar a vida, criar e educar, chega a hora deles partirem para o descanso eterno. Essa é dolorida.. não tem palavras e nem como explicar essa nível de perda. É um pedaço nosso que se vai diante da impotência “dela”, que se mostra vencedora e determina alterações profundas no futuro. É uma briga que perdemos, um amor que se vai.
Depois da perda dos pais, qualquer filho passa a respeitar a morte. Já sabemos que ela vem, é implacável e nós não somos como os personagens dos desenhos animados. Somos perecíveis e temos data de validade. Doa a quem doer a vida é a soma dos dias que vivemos e tem fim, a vida não se multiplica por si só. Podemos multiplicar a alegria de viver, os aprendizados, as amizades e o amor, e com isso, viver intensamente cada minuto.
E por fim, a razão do meu post, é deixar a meu carinho e luz a todos que estão com alguma doença que os tem limitado. Tenho recebido muitas notícias de conhecidos que estão doentes, lutando por mais anos de vida, de alegrias e plenitude. Pessoas que acordam e juntam suas forças para seguir mais um dia, rezando para que seja o mais normal possível, pois assim sabem que estão próximos do que é viver. Ter um dia normal não é para qualquer um, é apenas para quem está vivo e saudável!! Um dia simples, respirando, ouvindo e falando é tão básico mas um sinal claríssimo de que está tudo bem. Não importa a chuva, o transito, o chefe de mal humor, a fila do banco e nem nada disso, ou melhor, tudo isso importa sim, mas como indicativos de que estamos no jogo e não no banco de reservas.

Fica a dica: vamos viver o que há para viver, vamos nos permitir… (Lulu Santos)

Seja mais, seja você!